Sorrir já deixou de ser uma obrigação, entendi a grande moral pra ter que transparecer sorriso, é transparecer felicidade, é senti-la. Quando reconheci o grande valor que ele possui, parei de abrir os lábios e tentar transparecer mentiras, sentimentos não sentidos. Atribui aos meus traços um dom, aquele de poder deixar vazar por meus olhos quais que fossem modos de emoções. E se eu não a sentisse, que simplesmente não transparecesse nada, mostrasse que não havia nada ali pra ser visto.
Vi a flor que eu mais gostava, e que pra mim, estava extinta. Me esquivei dos pensamentos sórdidos e preferi pedir licença pra passaar. Era uma mesclada de turbulências que não moviam nem abalavam nada. Então um tremor tomou conta de mim, e meus olhos quiseram se fechar novamente. O fiz então.
Quando eu estava com meus olhos fazendo o que era preciso, me sentia mais leve e mais forte. A realidade dos fatos me deixava fora de órbita, porque na verdade a vida real de nada me importa. Quando meus olhos estão fechados, ali dentro tudo se transforma, meus sonhos se tornam realidade num prazo mínimo de 5 segundos, meu chão deixa de existir e minhas asas transparentes se Poe a voar. É mágico, é intrigante, é o que eu busco. Não ouço nada que vem do lado de fora, como se eu estivesse trancada em uma caixa super-preparada; que as vezes me sufoca, mas não podia ser mais perfeita.
Nesse sufocar eu tenho que criar coragem, desfazer minhas asas e recuperar o chão que a realidade das cores vivas e o movimento involuntário de terceiros viria, e eu precisava entender e escutar o que eles me diziam.
Poderia viajar mais de trezentas vezes no mesmo dia ou na mesma até, mas quando eu abria os meus olhos pra poder onde eu havia parado depois de tanto voar, eu não tinha conseguido me mover nem meio milímetro se quer. E vinha a atordoante vontade de fechá-los e perceber que posso ir bem mais longe que os olhos que se dizem reais podem ver. Não que eu quisesse fantasiar, mas se você entrasse nessa dança comigo – porque eu realmente podia dançar – veria quão bom seria se eu pudesse ficar na minha caixinha pra sempre, se ela um dia deixasse de me sufocar, certamente eu o faria sem sombra de duvidas.
Quando eu via que o sol do lado de fora era mais forte percebia que as semelhanças não existiam, e que minha estrada do outro lado era muito maior e eu me sentia mais eficaz de lá. Daqui eu precisava que alguém me ajudasse, lá eu sempre ajudava. Daqui meu coração estava despedaçado, de lá ele não sabia mais como irradiar mais emoção – eu sabia sorrir involuntariamente, com vontade e sinceridade. Felicidade era o que me motivava – meus olhos não se desmanchavam de tristeza quando eu os fechava.
Eu não sabia mais sorrir quando sabia que estava do lado de fora, ali, do lado de fora, havia muita coisa que ninguém sabia explicar. Tinha muita gente que se preocupava comigo quando eu caia em tentação e me deixava abalar por pensamentos absortos e carregados do passado. É, eu fechava os olhos pra fugir do que passou. Grandes e fortes são aqueles que superam a perda de um grande amor. Eu não o tinha – na verdade nunca fora meu, mas eu o amava com tudo que podia – mas ele sabia que meu coração estaria despedaçado assim que o dele não mais me olhasse – quando seus olhos se fechassem por completo para mim . Não pude suportar sentir meu coração quase parar por isso, tão pouco ouvir meus soluços desesperados buscando um abraço, foi quando resolvi fechar meus olhos novamente. Quem sabe o fiz agora por definitivo, e não me falte oxigênio dentro da caixa. Meu coração pode bater na sua forma regular, e tudo ficou bonito novamente. Sentia uma ausência, mas sabia que teria o resto dos tempos pra supri-la. Veria o sol do meu jeito e não escutaria mais a realidade, não sei ao certo o que sentiria, mas amor eu nunca mais terei. Meu coração aos meus olhos agora era perfeitamente intacto, e ele sabia que já bastava e que os olhos estavam fechados e ele poderia sorrir.
Seus olhos se fecharam pra mim, e os meus se fecharam pro mundo. Se abriram em outra extremidade na qual o vento sopra e balança os meus cabelos na tuada do meu vôo, porque daqui a pouco me pego a dançar, e vai ser pra sempre o FIM.
(Manu)
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